Sons de Sampa

O som alucinado da cidade me enfeitiça. Escrevo em meio a tudo o que ecoa, refletindo o desespero da cidade em alerta. Sampa!

Resume-se o dia em sons de arrepiar e até o portão que se fecha ao longe grita, como alma sedenta de silêncio.

Foge-se do impossível, evita-se o intolerável, rompe-se a fronteira do entendimento e joelhos se dobram em preces anormais, em momentos surreais.

Escrevem-se folhetos que são jogados em sarjetas, incessantemente. Distribuem-se avisos que rolam em enxurradas, beiram estradas e são conduzidos para o mesmo velho, desgastado e estupefato rio. Pobre! Pensamentos de pesar são ouvidos como pedidos de socorro, por seres impotentes e omissos. Recados são mandados, enquanto petições encabeçam demandas. Amontoam-se prescrições, bilhetes e desejos sem respostas. Sabidamente, a palavra é vencida e as águas se atolam em meio ao que resta da cidade enorme que engole gente e igualmente grita. Sampa!

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2 Comentários

Arquivado em Histórias da cidade de São Paulo

2 Respostas para “Sons de Sampa

  1. Nanda

    E ainda assim apaixonante… Sampa…

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